AS CATACUMBAS DE PARIS E OS SEUS MISTÉRIOS

As Catacumbas de Paris

Sempre que algum dos meus amigos do Facebook ou pessoas que sigo no Instagram vão até Paris, costumam frequentar os mesmos pontos turísticos.

Veja, não quero dizer que isso seja um problema. Sei que as pessoas tendem a visitar os locais mais famosos mesmo. Mas, na minha humilde opinião, há lugares muito mais interessantes para conhecer. Deve ser porque adoro uma pitada de mistério, histórias, arqueologia e tudo o que envolve o desconhecido.

COMO SURGIRAM AS CATACUMBAS DE PARIS?

As Catacumbas de Paris

Sabe aquelas histórias interessantíssimas que prendem a nossa atenção do início ao fim? A história das catacumbas em Paris é uma delas. Bom, senta que lá vem história!

Muitas pessoas que nem imaginam, mas embaixo da cidade de Paris há centenas de quilômetros de túneis. Nesses túneis há canais e reservatórios, prisões, criptas, discotecas e galerias, cofres bancários e mais de 400 km de extensão cheinhos de ossos que possuem mais de dois séculos de existência. Vamos voltar no tempo agora e contar toda a história para você.

Os túneis subterrâneos de Paris surgiram lá no século 13 graças à mineração. Na época, a extração de calcário era extremamente necessária para a construção de edifícios da cidade.

As Catacumbas de Paris

A extração foi tão grande que uma Paria subterrânea foi criada: as Carrières de Paris. Uma rede intrincada de túneis e, em sua grande parte, na parte sul da cidade. A melhor parte disso tudo é que mais tarde descobriram que esses túneis teriam utilidade. Já, já você vai saber o motivo.

Tudo começou quando os cemitérios passaram a sofrer com a superlotação. Não havia local na cidade para enterrar os mortos e os corpos eram colocados uns sobre os outros.

Para solucionar o problema, em 1785 o Conselho de Estado Francês decidiu construir novos cemitérios na cidade. Porém, isso não resolveria o problema. Sabe por quê? Os demais cemitérios estavam superlotados. Ou seja, mesmo que os mortos passassem a ser enterrados nos novos cemitérios, ainda assim havia o problema de superlotação nos demais. E, como sempre, era a população quem pagava o pato.

Um dos casos mais graves aconteceu com o cemitério “des Saints-Innocents”, o mais importante da cidade na época. No ano de 1780, este cemitério chegou a um nível de lotação tão grande que a população que morava ali nos arredores começou a adoecer devido à contaminação provocada na água e solo. Para você ter uma ideia, há dados históricos que relatam mais de MIL CORPOS em uma única tumba. Eram 2 metros de cadáveres por tumba. Pois é!

Essa situação horrível acabava resultando em mais mortes e lotando ainda mais os cemitérios. Sim, exatamente esse círculo vicioso que você deve ter pensado.

Para você ter uma ideia, em Les Halles, um mercado que era bem próximo do cemitério “des Saints-Innocents”, o cheiro era insuportável. Não tinha perfume que resolvesse aquele mau cheiro. Isso prejudicava muito os negócios no local.

A situação era tão degradante, que em 1763 o rei Luiz XV resolveu proibir que qualquer corpo fosse enterrado dentro de Paris e que os corpos excedentes fossem removidos. Mas como a igreja não queria que cemitério algum fosse movido ou perturbado, nada foi feito.

Até que em 1780 houve um período de muita chuva no mês de maio. O peso dos corpos era tão grande que com aquela umidade toda o chão cedeu e causou a queda da parede do mercado Les Halles. Corpos em decomposição e ossos inundaram o local, o que causou ainda mais contaminação.

Como a situação já era de calamidade pública, em 1786 surgiu a ideia de esvaziar os cemitérios e mover os corpos para os túneis abandonados da cidade.

Você pensa que foi moleza esvaziar esses cemitérios? Olha, foi um terror! Eles moveram aproximadamente 6 milhões de pessoas. Sim, milhões. Não me confundi, não.

As Catacumbas de Paris

Para tornar a tarefa um pouco menos repugnante para os moradores da cidade de Paris na época, eles moviam os corpos durante à noite e os cobriam com um pano escuro. Imagine o tanto de histórias que deviam aparecer.

Durante a Revolução Francesa os corpos eram colocados diretamente nas catacumbas de Paris. Não se pensava duas vezes. Inclusive, entre os recém-chegados estavam Maximiliano de Robespierre e Jean-Paul Marat, figuras ilustres da revolução.

Foi apenas em 1876, com o surgimento de novos cemitérios, que as Catacumbas de Paris pararam de receber corpos.

As Catacumbas de Paris

Apesar de muitas pessoas considerarem esta prática um tanto esquisita, Paris não é a única cidade com catacumbas. Na Europa Medieval era um costume bem comum desenterrar os ossos e armazená-los em ossuários. Tudo isso com o objetivo de abrir espaço para mais cadáveres nos cemitérios.

Como Visitar As Catacumbas?

As Catacumbas de Paris

Como falei anteriormente, nos túneis de Paris não há apenas milhões de cadáveres, (embora esta parte seja a mais interessante na minha opinião). Também há discotecas e bares que dão acesso às catacumbas. A única questão é que muitos desses acessos (ou seriam todos?) dão acesso às áreas proibidas.

Hoje, apenas 2km de extensão das catacumbas estão abertos para visitação. Quem se arrisca indo ao trajeto proibido é pego pela polícia francesa e paga 60 euros de multa.

Mas para quem está pensando em se arriscar mesmo assim e quer explorar o lado das catacumbas que ninguém mostra, muito cuidado. O maior motivo para esta proibição é o óbvio: pessoas se perdem lá dentro.

A história mais conhecida é de Philibert Aspairt. Ele era o porteiro do hospital Val-de-Grâce durante a Revolução Francesa. Ele morreu no ano de 1793 e o seu corpo foi encontrado apenas 11 anos depois. Philibert foi enterrado no mesmo local onde morreu. Olha a imagem da lápide dele aí embaixo.

As Catacumbas de Paris Philibert Aspairt

Por isso, sim, é perigoso. São muitos quilômetros, escuro, tudo parece igual. Não dá para se arriscar a não ser que você tenha um guia experiente e que conheça bem o local. A questão é que você só encontra esses guias em sociedades secretas de Paris.

Se acha que vale à pena o empenho porque a sua curiosidade é grande demais, quem sabe seja uma boa ideia se aprofundar neste assunto das sociedades secretas.

Em todo o caso, para quem deseja fazer uma visita normal, a entrada é de apenas 12€ e o valor reduzido é de 10€. O tour leva cerca de 45 minutos e são permitidas apenas 200 pessoas por dia.

Sugiro que você não esqueça o casaco, viu? Lá embaixo a temperatura é de 14 graus. Não é um frio medonho, mas incomoda se for despreparado.

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