Um Ano De Austrália e Minha História Na Terra Dos Cangurus

Terra dos Cangurus

22 de fevereiro de 2015. Me despeço da família e amigos no Aeroporto Internacional de Curitiba. Destino? Sydney, Australia, a famosa Terra Dos Cangurus. 24h de voo me separam do que seria a maior aventura da minha vida. Eu acho que é isso que você chama quando larga toda a estabilidade de um emprego, amigo e família para se aventurar sozinha no outro lado do mundo.

Como Foi A Minha História Na Terra Dos Cangurus?

Dia 24 eu botava os pés aqui, eufórica por ter meu passaporte carimbado e um tanto embriagada pelo efeito do Dramin. Ainda no aeroporto procurava a saída. A oficial do aeroporto me orienta “six”. Seis, saída número seis. Onde está? Vejo a um, a dois, a três, mas seis? Olho pra ela com cara de interrogação e eis que, agora não tão simpática, ela me aponta para uma placa com os dizeres “exit”. Ri. “Obrigada moça, pardon anything, sabe o que é, não foi esse sotaque que me ensinaram nas aulinhas de inglês”.

 

E a partir daí qualquer tentativa de comunicação bem sucedida era uma vitória. Consegui comprar o ticket de trem até a estação central e de lá pegar um taxi que me deixou na porta da Homestay (casa de família). Na primeira janta até que me saí muito bem, consegui contar um pouco da minha história e como vim parar aqui. Muito diferente do estudante Japonês também hospedado na mesma casa, que se comunicava através de um jogo de tentativas e erros “Aoki, amanhã teremos frango, você gosta de frango? Ele balançou a cabeça negativamente. A cara de decepção da minha host mother disse tudo, “não??”. Um momento de tensão se criou. Aoki prontamente corrigiu-se com um largo balançar de cabeça, agora positivo. Ufa, ele gosta de frango.

Começaram as aulas. As aulas de inglês eram diárias no período da noite. O primeiro emprego chegou depois de 1 mês. Trabalhei como assistente nas eleições estaduais de New South Wales (Nova Gales do Sul). Foi um emprego temporário só por duas semanas. No segundo e terceiro mês fiz de tudo um pouco, abraçando qualquer oportunidade de trabalho que aparecia na frente (nessas horas as amizades e a comunidade do Facebook `Brasileiros em Sydney´ faz toda a diferença). Trabalhei como garçonete, cleaner, operadora de produção. Uma experiência bem diferente foi trabalhar em uma lavanderia e dar risada com as diferenças de roupas íntimas do Brasil para a Austrália. No caso das mulheres não existe meio termo, ou é calçolão ou é fio dental. No caso dos homens, eles se permitem usar cuecas mais alegres, bem diferente dos brasileiros. Em meio àquela pilha de roupas para passar impossível não refletir sobre a vida “Uau, há 4 meses atrás estava sentada no escritório e agora estou aqui, dobrando roupa de gringo”. E sabe o que é o melhor: não se arrepender por um segundo da sua decisão. Fazer intercâmbio na Austrália não é fácil, mas trazem recompensas imensuráveis. E eu diria até para a minha auto-estima, hoje eu me sinto uma pessoa mais dinâmica, que me adapto com mais facilidade ao ambiente. Por muitas vezes no Brasil eu duvidei dessa minha qualidade.

Há 1 ano trabalho numa lanchonete de comida mexicana e o ambiente é muito mais dinâmico e divertido. Faço de tudo um pouco: preparo lanches, tiro pedidos, cobro clientes. Mas tanta confiança não me impede de falhas na comunicação: “Aqui está seu burrito Senhor. $11,90, please”. Ele abre a carteira catando por moedas e fala algo que parece ser uma piada. Eu e minha colega de trabalho retribuímos com uma risadinha simpática. Enquanto o cliente se afasta do restaurante conversamos: “Entendeu o que ele falou?”,“Nadinha”. E seguimos com nosso trabalho.

 

Isso é a Austrália, um país que trouxe mais intensidade a minha vida. Onde coloquei meus limites a prova e aprendi a acreditar mais em mim. Onde eu conheci pessoas incríveis, de muitas nacionalidades e aprendi a ser mais grata pela vida. País das mil e uma praias. Da violência quase zero. Onde executivos de grandes empresas dividem o mesmo meio de transporte e restaurante que você.

O que é melhor, Brasil ou a Terra dos Cangurus? Honestamente não gosto de comparar. Vou sempre admirar o nosso calor humano, como nos entregamos fácil a um abraço e como nos divertimos nas adversidades (o famoso ‘a gente se fode, mas se diverte’). Mas também vou sempre admirar o Australiano por saber levar uma vida leve, menos estressante e também por respeitar mais as regras. Uma mistura desses dois países e está criado o povo perfeito. Cabe a mim levar o melhor desta experiência.

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